CF 2013 - Fraternidade e Juventude


1. A Campanha da Fraternidade de 2013, que retoma o tema Juventude, se propõe olhar a realidade dos jovens, acolhendo-os com a riqueza de suas diversidades, propostas e potencialidades; entendê-los e auxiliá-los neste contexto de profundo impacto cultural e de relações midiáticas; fazer-se solidária em seus sofrimentos e angústias, especialmente junto aos que mais sofrem com os desafios desta mudança de época e com a exclusão social; reavivar-lhes o potencial de participação e transformação.

2. Esta Campanha deseja, no contexto do Ano da Fé, mobilizar a Igreja e, o quanto possível, os segmentos da sociedade, a fim de se solidarizarem com estes jovens, favorecer-lhes espaços, projetos e políticas públicas que possam auxiliá-los a organizarem a própria vida a partir de escolhas fundamentais e de uma construção sólida do projeto pessoal, a se compreenderem como força de transformação para os novos tempos, a desenvolverem seu potencial comunicativo pelas redes sociais em vista da ética e do bem de todos, a assumirem seu papel específico na comunidade eclesial e no exercício do protagonismo que deles se espera, nas comunidades e na luta por uma sociedade que proporcione vida a todos.

3. Evangelizar, hoje, é uma via de mão dupla. Saem de cena os “públicos” ou “destinatários” da evangelização para dar lugar aos “interlocutores”. Os interlocutores da evangelização são pessoas que, numa relação dialogal, se enriquecem pela troca de experiências. Portanto, “escutando e compreendendo os gritos e clamores dos jovens, a Igreja é chamada não somente a evangelizar, mas também a ser evangelizada na atualidade”. Torna-se imprescindível, cada vez mais, caminhar com os jovens e refazer com eles a experiência de Jesus. Na prática, isso significa que “nas atividades pastorais com a juventude, faz-se necessário oferecer canais de participação e envolvimento nas decisões, que possibilitem uma experiência autêntica de corresponsabilidade, de diálogo, de escuta e o envolvimento no processo de renovação contínua da Igreja. Trata-se de valorizar a participação dos jovens nos conselhos, reuniões de grupo, assembleias, equipes, processo de avaliação e planejamento”.

4. Para atingir tal intuito, são estes os objetivos da Campanha da Fraternidade de 2013:
Objetivo geral Acolher os jovens no contexto de mudança de época, propiciando caminhos para seu protagonismo no seguimento de Jesus Cristo, na vivência eclesial e na construção de uma sociedade fraterna fundamentada na cultura da vida, da justiça e da paz.

Objetivos específicos

1. Propiciar aos jovens um encontro pessoal com Jesus Cristo a fim de contribuir para sua vocação de discípulo missionário e para a elaboração de seu projeto pessoal de vida;

2. possibilitar aos jovens uma participação ativa na comunidade eclesial, que lhes seja apoio e sustento em sua caminhada , para que eles possam contribuir com seus dons e talentos;

3. sensibilizar os jovens para serem agentes transformadores da sociedade, protagonistas da civilização do amor e do bem comum.

Retirado da introdução do texto-base da CF 2013

Bento XVI renuncia o Pontificado



Joseph Alois Ratzinger - Bento XVI

Em suas palavras, o Papa Bento XVI  disse que a Sede de Roma fica vacante a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20h, e deverá ser convocado, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.

Aos 85 anos, Bento XVI anunciou a renúncia pessoalmente, falando em latim, durante o consistório para a canonização de dois mártires. Em comunicado, ele afirmou que vai deixar o cargo devido à idade avançada, por "não ter mais forças" para exercer o cargo. O pontífice afirmou que está "totalmente consciente" da gravidade de seu gesto. A eleição do novo Papa deve acontecer em março.



DECLARATIO

Caríssimos Irmãos,

convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idóneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para  administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste acto, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.

Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus.

Vaticano, 10 de Fevereiro de 2013.

BENEDICTUS PP XVI

Novo Conselho Provincial dos Oblatos de São José (2013-2016)



Pe. Ailton Ferreira de Almeida – Provincial
 
Pe. Mauro Negro – Vice-Provincial
 
Pe. Antonio Luiz de Oliveira – 2º Conselheiro
 
Pe. Mário Guinzoni – 3º Conselheiro
 
Pe. Sérgio José de Sousa – 4º Conselheiro

Epifania do Senhor


"Viemos do Oriente adorar o Rei"

O evangelho de Mateus, no seu capítulo II, apresenta quatro episódios que formam uma unidade: a visita dos magos, seguido pela matança das crianças de Belém e da consequente fuga para o Egipto; o quarto episódio é o regresso a Nazaré, à morte de Herodes. A solenidade da Epifania (= manifestação) encerra o ciclo natalício, precisamente no dia em que a Igreja Ortodoxa celebra o Natal.

Escrito originariamente para uma comunidade judeo-cristã e em polémica com a sinagoga, o evangelho de Mateus mostra desde o início que o acolhimento de Jesus por parte dos seus não foi nada triunfal, pelo contrário, encontrou hostilidade ou indiferença. A nota negativa inicial acentua-se no decurso do evangelho, anunciando que «os filhos do reino serão lançados fora nas trevas»; filhos degenerados, presentes simbolicamente na parábola dos vinhateiros homicidas e realisticamente quando «todos eles responderam: seja crucificado».
Admira, à primeira vista, a presença de magos, referidos com toda a naturalidade, quando em toda a Sagrada Escritura eles são condenados.

O termo «mago» referia-se originariamente a uma tribo de Medi que se desenvolveu numa casta sacerdotal, presente depois na Babilónia, Pérsia, Capadócia e outros lados. Mateus apresenta-os sob uma luz favorável e de modo genérico sem fornecer uma identificação, número (pelo menos dois porque se fala no plural) ou condição social; apenas se indica com uma certa aproximação a proveniência: «do oriente», sem excluir que se possa entender a Arábia ou zonas confinantes, todas elas a oriente da Palestina. Será a interpretação posterior a enriquecer a sua pessoa, tornando-os reis e dando-lhes uma proveniência exacta, um número e um nome, elementos que variam conforme as tradições. Já Tertuliano, no séc. III, lhes chama reis. O Evangelho de Infância Arménio, versão do siríaco à volta do ano 590, conhece-os como três irmãos, com os nomes de Melchior, Gaspar e Baltazar, chama-lhes reis e fá-los vir da Pérsia, onde um anjo foi avisá-los. Na tradição latina são dois, três ou quatro, na tradição siríaca posterior o seu número sobe para doze. Segundo o Evangelho árabe da infância, cujo original poderia ser do séc. VI-VII, uma profecia de Zoroastro teria levado os Magos ao conhecimento do nascimento extraordinário dum menino. A Caverna dos Tesouros, do séc. VI, é a narração mais antiga da viagem dos Magos. Os seus dons referem-se àquilo que Adão, depois da queda, teria trazido dos confins do Paraíso e depositado numa caverna.

A nossa narração não tem nada de condenação: os magos representam as primícias da futura profecia de Jesus: «Eu digo-vos que muitos virão do oriente e do ocidente e se sentarão à mesa com Abraão, Isaac e Jacob no reino dos céus» e penhor da futura missão da Igreja: «Ide e ensinai todas as nações, baptizando-as…». A sua viagem, os seus dons, a sua atitude são expressões daquela prostração-adoração que, como trama unificadora, serve à teologia de Mateus para mostrar como Cristo deve ser procurado e por quem ele se deixa encontrar.

A estrela que guia os magos é muito peculiar: aparece, desaparece, anda, pára, move-se de norte para sul e não de este para oeste como as outras. É na Sagrada Escritura que vamos encontrar este astro preanunciado pelo profeta Balaão (Nm 24,17.19) referindo-se à «estrela que se ergue de Jacob e ao ceptro que se ergue de Israel». Jesus é a Estrela que conduz até Ele, a verdadeira Luz que ilumina todos e cada um dos homens.

O texto tem o seu centro ideal e teológico em Cristo. Ele é apresentado como o verdadeiro Rei que merece ser procurado e adorado. Até Ele vêm pessoas de longe, guiadas pela luz da estrela e pelas Escrituras. Jesus é uma criança, não diz uma palavra e, no entanto, a sua existência divide os homens. A passagem do evangelho contém um ambiente de tensão, seja na intenção persecutória de Herodes que acabará em tragédia, seja na irresponsável atitude das pessoas de Jerusalém, a começar pelos sumos-sacerdotes e escribas do povo. A morte do Messias, com a qual culminará a rejeição de Jerusalém, lança a sua sombra nesta recusa inicial. Com este objectivo Mateus ajuda o leitor com a citação bíblica (Mq 5,1) e com a figura dos Magos. Com a citação preanuncia-se a vinda do mais ilustre descendente de David que cuidará do seu povo, fazendo sua a actividade própria de Deus (cf. Ez 34). A adoração dos Magos remete o leitor para a grandeza de Cristo, filho de David, Filho de Deus e Emanuel. Assim a perícopa serve o interesse cristológico de todo o Mt 1–2.

O rei citado por Mateus é Herodes, o Grande, que reinou na Palestina de 37 a 4 a.C., tendo ficado famoso pela sua crueldade, pelas suas construções, entre as quais o início da construção do Templo de Jerusalém, e pela sua habilidade política. A notícia do nascimento dum possível rival que reivindica o trono do reino não podia deixar de preocupar. Por isso, o comportamento de Herodes é frio e calculista: informa-se com exactidão, para eventuais acções preventivas ou punitivas, e em segredo. Embora convide os estrangeiros a dirigirem-se para a localidade indicada pelas Escrituras, nem ele nem qualquer outro da sua corte ou se Jerusalém se move.

«E… ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra». Os dons dos Magos em certo sentido interpretam a adoração. Ninguém se apresentava diante perante uma pessoa importante de mãos vazias. O dom servia para reconhecer e em parte para diminuir a distância entre quem oferecia e quem recebia; neste sentido se deve interpretar a disposição de Ex 23,15b: «Não se deverá aparecer diante de mim de mãos vazias». Quando se consideram os três dons (o número impôs-se tradicionalmente também para os Magos) não é difícil notar o seu valor simbólico. O ouro é o metal precioso, tanto mais que na Palestina não havia forma de o explorar; a Arábia, porém, era uma das zonas de extracção. O incenso era uma resina perfumada de várias plantas, usado no culto, provavelmente não proveniente da Palestina, mas importado também da Arábia. A mirra era uma outra resina perfumada existente na Arábia e na Etiópia, empregada como perfume, como componente para o óleo santo da unção e como aroma sepulcral. Facilmente os primeiros cristãos leram o sentido daqueles presentes: aquele menino é Deus (incenso), rei (ouro) e irá passar pela morte (mirra).

A homenagem dos Magos ao rei/Deus menino é a correcta resposta humana ao Emanuel, Deus connosco. O c. 1, apresentando a genealogia e o nascimento, ficava no mundo judaico. Com este texto, que abre o c. 2, o mundo passa a compreender todos os povos. O episódio dos Magos pode ser lido como uma grande profecia já a realizar-se, enquanto se declara já iniciada a peregrinação dos povos anunciada por Is 60 e pelo Sl 72. A nova comunidade é a Igreja sem fronteiras que se deixa guiar pelos sinais e pelas palavras proféticas ao encontro do seu Senhor.

P. Franclim Pacheco
Diocese de Aveiro

Mensagem De Sua Santidade Bento XVI - Dia Mundial Da Paz




 BEM-AVENTURADOS OS OBREIROS DA PAZ
 
1. Cada ano novo traz consigo a expectativa de um mundo melhor. Nesta perspectiva, peço a Deus, Pai da humanidade, que nos conceda a concórdia e a paz a fim de que possam tornar-se realidade, para todos, as aspirações duma vida feliz e próspera.
À distância de 50 anos do início do Concílio Vaticano II, que permitiu dar mais força à missão da Igreja no mundo, anima constatar como os cristãos, Povo de Deus em comunhão com Ele e caminhando entre os homens, se comprometem na história compartilhando alegrias e esperanças, tristezas e angústias, anunciando a salvação de Cristo e promovendo a paz para todos.
Na realidade o nosso tempo, caracterizado pela globalização, com seus aspectos positivos e negativos, e também por sangrentos conflitos ainda em curso e por ameaças de guerra, requer um renovado e concorde empenho na busca do bem comum, do desenvolvimento de todo o homem e do homem todo.
Causam apreensão os focos de tensão e conflito causados por crescentes desigualdades entre ricos e pobres, pelo predomínio duma mentalidade egoísta e individualista que se exprime inclusivamente por um capitalismo financeiro desregrado. Além de variadas formas de terrorismo e criminalidade internacional, põem em perigo a paz aqueles fundamentalismos e fanatismos que distorcem a verdadeira natureza da religião, chamada a favorecer a comunhão e a reconciliação entre os homens.
E no entanto as inúmeras obras de paz, de que é rico o mundo, testemunham a vocação natural da humanidade à paz. Em cada pessoa, o desejo de paz é uma aspiração essencial e coincide, de certo modo, com o anelo por uma vida humana plena, feliz e bem sucedida. Por outras palavras, o desejo de paz corresponde a um princípio moral fundamental, ou seja, ao dever-direito de um desenvolvimento integral, social, comunitário, e isto faz parte dos desígnios que Deus tem para o homem. Na verdade, o homem é feito para a paz, que é dom de Deus.
Tudo isso me sugeriu buscar inspiração, para esta Mensagem, às palavras de Jesus Cristo: «Bem-aventurados os obreiros da paz, porque serão chamados filhos de Deus» (Mt 5, 9).